Jardineiros deixam de trabalhar agachados


 

Bancadas permitem trabalho de pé nos viveiros e afastam risco de lesões

 

Funcionários da Comurg chegavam a trabalhar até oito horas de cócoras na preparação de mudas, favorecendo problemas de coluna

A jardineira Ana Maria de Abreu, 38 anos, trabalha em um dos viveiros da Prefeitura de Goiânia, na preparação de mudas e, ao longo de dois anos, adquiriu problemas de postura e de circulação. As dores nas pernas e nas costas apareceram em decorrência da posição de trabalho da funcionária, que chegava a ficar até oito horas agachada. Assim como Ana, outros 400 jardineiros eram obrigados a trabalhar em condições inadequadas até o mês passado, quando algumas mudanças começaram a ser feitas nos viveiros da capital.

No lugar dos pequenos banquinhos, que só permitiam que os jardineiros trabalhassem agachados, foram construídas bancadas. de concreto, que possibilitam que os funcionários manuseiem a terra em pé. Segundo a médica Liamar de Matos Macedo, que coordena o Departamento de Medicina do Trabalho na Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), responsável pelos quatro viveiros que funcionam na capital, foi cogitada a colocação de cadeiras, para que os jardineiros trabalhassem sentados, mas a idéia foi logo descartada por não propiciar uma condição confortável de trabalho.

As cadeiras com assento de espuma e encosto, compradas para o galpão do Viveiro Meia Ponte, que está funcionando como projeto piloto para adequação ergonômica dos outros viveiros, serão utilizadas apenas para o descanso dos funcionários, de acordo com Liamar. Ela alerta para a necessidade de pequenas pausas durante a atividade, como uma forma de prevenir lesões.

Dor na coluna e varizes freqüentes entre os funcionários

A presença de um professor de educação física nos viveiros também foi sugerida pela médica, que acredita que 15 minutos diários de alongamento podem ser valiosos na prevenção de lesões musculares. A médica do trabalho Liamar Matos Macedo afirma que nenhum problema de Lesão por Esforço Repetitivo (LER) foi detectado nos viveiros, já que os funcionários não trabalham com repetição de movimentos.

Os casos mais comuns, segundo a médica, são de lombalgia (dor na parte inferior da coluna), varizes e dor nas pernas, provocadas pela má circulação sangüínea. Mesmo assim, a equipe que está trabalhando na adequação ergonômica dos viveiros resolveu criar um sistema de rodízio de atividades para que os funcionários desenvolvam diferentes funções, valendo-se de diferentes movimentos, que está vigorando desde março.

Viveiros

O diretor - administrativo da Comurg, Paulo César Fornazier, espera que, dentro de seis meses, os quatro viveiros estejam adequados às normas propostas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Delegacia Regional do Trabalho (DRT). Mas ele garante que o Viveiro Meia Ponte já está pronto para receber os dois órgãos para uma visita. Fornazier ainda tem como metas uniformizar todo o pessoal dos viveiros — o uniforme inclui equipamento de segurança — e implantar um programa de conscientização, com a realização de palestras para os funcionários.

A solicitação de adequação ergonômica partiu de uma denúncia feita ao MPT por uma antiga funcionária da Prefeitura. Na ocasião, ela alegou que as más condições de trabalho a que era submetida lhe renderam uma lesão na coluna e o orgão recorreu à DRT para averiguar a situação. Segundo a delegada regional do Trabalho, Odessa Arruda, a situação irregular foi constatada e, a Comurg, notificada a fazer as mudanças necessárias, depois de desenvolver uma análise ergonômica. Ao fim do prazo de 60 dias, que termina no final deste mês, fiscais da DRT voltarão aos viveiros para checar o cumprimento da notificação.

Satisfação

Na opinião de Liamar, não há motivo para apreensão, já que as condições ergonômicas do viveiro que abriga o projeto piloto podem ser consideradas excelentes, depois da adequação feita pela Comurg.

Os funcionários concordam e se dizem mais satisfeitos agora. A jardineira Ana Maria afirma que as dores nas costas e nas pernas diminuíram sensivelmente e diz que até sua produção aumentou depois que passou a trabalhar em pé. O outro galpão do Viveiro Meia Ponte, que não foi reformado, foi abandonado pelos funcionários que, agora, preferem trabalhar em um espaço menor, mas com mais conforto.

Fonte: O Popular/GO 18/04/2001

 

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