| Cada
vez mais procurada pela população, a acupuntura é associada a
outras especialidades médicas no tratamento de diversas doenças
Ana
Cristina Cocolo
A
cada ano cresce o interesse de médicos de várias áreas pela
acupuntura. Reconhecida como especialidade médica pelo CFM (Conselho
Federal de Medicina) em 1995, e, em 1998, pela AMB (Associação Médica
Brasileira), a acupuntura há muito deixou de ser vista com desconfiança
pela população. Estudos científicos mostram que a técnica funciona
com rapidez em várias doenças, sem apresentar os efeitos colaterais
que podem acompanhar os medicamentos.
A
comprovação da eficácia e a boa aceitação da acupuntura pela
população são alguns dos motivos pelos quais a procura por cursos
de especialização na técnica chinesa tem crescido não só entre médicos
mais velhos, mas também entre recém-formados, revela Ysao Yamamura,
presidente da Associação Médica Mundial de Acupuntura (cuja sigla
em inglês é WMAA), sediada em Paris. “Como a acupuntura pode ser
escolhida como disciplina optativa na Unifesp, muitos alunos acabam se
encantando com a técnica, que oferece uma resolução mais rápida
para algumas doenças do que a medicina ocidental”, afirma Ysao, que
também é chefe do Setor de Medicina Chinesa e Acupuntura da
universidade.
Um bom negócio –
O valor de uma única aplicação de acupuntura pode variar de 40 a
150 reais, quando realizada por especialistas em consultórios
particulares. De acordo com Ysao Yamamura, são necessárias
aproximadamente dez aplicações para um bom resultado no tratamento.
Ele afirma também que o reconhecimento da acupuntura como
especialidade médica – a prática não pode ser realizada por
pessoas sem formação em medicina – abriu novas perspectivas para o
profissional que procura essa especialização. “Os cursos puderam
ser ministrados em universidades, e os seguros de saúde e os convênios
particulares passaram a cobrir as despesas com o tratamento”, diz.
“Além de ajudar a inibir as clínicas de fundo de quintal, o
reconhecimento da acupuntura possibilitou ampliar o acesso das pessoas
ao tratamento, garantindo mais segurança ao usuário e ao
profissional.”
Em
1988, dez anos antes de os convênios e os seguros de saúde passarem
a cobrir tratamentos com acupuntura, o SUS (Sistema Único de Saúde)
já disponibilizava a técnica à população.
Hoje,
existem cerca de 80 serviços espalhados por quase todos os Estados do
país, com um atendimento médio de 12 mil consultas por mês.
O
presidente da WMAA explica que o bom acupuntor precisa ter muita intuição,
ser introspectivo e calmo para poder compreender o que o doente está
sentindo. A filosofia da acupuntura prega que as sintomatologias
geralmente são de fundo emocional. “Somos uma espécie de psicólogo
que investiga a causa dos sintomas de uma forma mais profunda, para
depois definirmos os pontos que precisam ser trabalhados no
paciente”, diz. “A dor de cabeça de uma pessoa pode ser igual à
de outra, mas com certeza suas origens são diferentes”.
Procura
e oferta – Com vagas para
120 alunos, o curso de especialização oferecido na Unifesp – com
dois anos e meio de duração – foi disputado por pelo menos o dobro
de interessados em 2001. O mesmo acontece na maioria das universidades
federais e estaduais que também ministram o curso em outros cinco
estados – Rio de Janeiro, Ceará, Piauí, Distrito Federal e
Pernambuco –, de acordo com o médico pernambucano Dirceu de Lavôr,
ex-presidente da SMBA (Sociedade Médica Brasileira de Acupuntura) e
atual diretor de ensino da entidade. “Só na Universidade Federal de
Pernambuco já há inscritos para o próximo curso que começará
daqui a um ano e meio”, diz. Segundo ele, há 3.500 médicos
acupuntores cadastrados na SMBA, mas sua estimativa é que existam
aproximadamente 5.000 médicos que praticam a acupuntura no Brasil.
Há
um ano fazendo o curso de especialização em acupuntura na Unifesp, o
médico coreano Sang Hyun Park, 29, não estava satisfeito só com a
medicina alopata. “Queria poder atender o paciente como um todo,
usando uma medicina mais holística”, afirma. “Enquanto a medicina
ocidental trabalha mais a parte orgânica, a chinesa procura valorizar
e trabalhar a parte funcional, emocional e energética do paciente”.
Apesar
de a procura pelos cursos ser maior que a oferta, 30% dos médicos que
iniciam a especialização acabam desistindo no meio do caminho.
“O
profissional com um perfil mais dinâmico, que quer fazer as coisas
mais rapidamente, com certeza não se adaptará a uma técnica que
exige muita calma como a acupuntura”.
|