A rebelião contra o amianto

(informativo
Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisa

 de Saúde e dos Ambientes de Trabalho

Maio/Junho - 2001


Já são quatro Estados e 10 municípios que aprovaram leis para proibir o uso e comercialização do amianto no Brasil. Essas iniciativas são mais uma pressão sobre o Governo Federal para que o mineral seja banido no País.

A recente proibição do uso do amianto nos estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul reacendeu a polêmica sobre o seu banimento os efeitos nocivos aos trabalhadores que manipulam a fibra. Em maio, as Assembléias Legislativas desses respectivos estados aprovaram a Lei. 
Além de São Paulo e Rio Grande do Sul, os estados de Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro também já haviam tomado a mesma iniciativa. Em outros 10 municípios paulistas: Osasco, São Paulo, Mogi Mirim, São Caetano do Sul, Taboão da Serra, Jandira, Embu, Campinas, Bauru e Americana, a proibição do uso do amianto já é uma realidade. Até maio deste ano, o uso e comercialização do produto já estavam proibidos em 21 países no mundo, entre eles a França, Itália, Alemanha, Chile e Reino Unido.
Mais força - Para o diretor do Sindicato dos Melatúrgicos de Osasco, Carlos Aparício Clemente, a crescente proibição do amianto "é uma vitória total da sociedade". Segundo o sindicalista, as iniciativas de estados e dezenas de municípios "vêm aumentando a cada dia e representam uma pressão para que o governo federal adote o banimento como uma legislação para todo o País". 
Clemente avalia que as recentes vitórias contra o uso e comercialização do amianto são resultado de várias lutas nos últimos anos e da pressão das organizações sindicais, de pesquisadores que contribuíram para mostrar os danos causados pelo amianto à saúde dos trabalhadores, da BanAsbestos (uma ONG com atuação internacional, que no Brasil é coordenada pela engenheira Fernanda Giannasi) e da Abrea (Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto).
Lobby contrário - A batalha pelo banimento do amianto tem um forte lobby contrário. São os empresários que lucram com a utilização do produto. No Brasil, quarto produtor mundial, a única mina de amianto é a de Cana Brava, em Minaçu/Goiás. Por sua importância econômica - é uma das maiores responsáveis pela arrecadação do Estado -, a mineradora, o poder público local e regional investem para impedir o banimento do amianto no País. 
O principal argumento dos defensores do amianto é que o produto não é prejudicial à saúde. A extração, industrialização e uso são seguros e controláveis, se manipulados de forma adequada. Até mesmo uma recente pesquisa, elaborada por uma equipe coordenada pela Unicamp, concluiu que o uso do amianto não provoca danos graves à saúde. Entretanto, a credibilidade da pesquisa está sendo questionada, uma vez que seu maior patrocinador foi Sama, empresa que controla a mina Cana Brava. Outro aspecto é que a equipe de pesquisadores tem se esquivado de debates e discussões sobre o resultado do trabalho. 
Os males comprovados - Os perigos do amianto são muitos e os efeitos nocivos à saúde causado pela fibra podem demorar de 15 a 50 anos para se manifestar. O amianto pode causar vários tipos de doenças entre as quais: asbestose: as fibras alojadas nos álveolos e comprometem a capacidade respiratória dos pulmões; câncer de pulmão: quem teve exposição à fibra corre 10 vezes mais riscos da doença e mesotelioma de pleura: é um tipo de câncer na membrana que envolve os pulmões. 
Ampliar as discussões - como o banimento do amianto é uma das principais demandas na área de saúde do trabalhador e meio ambiente, o Conselho Científico e a Diretoria do Diesat planejam ampliar esse debate com outros atores sociais e promover eventos que tratem do tema.

 

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