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No
final de 1999 a Agência Nacional de Petróleo (ANP) baixou
uma portaria em que, entre outros assuntos, fixava os teores
máximos de benzeno permitido na gasolina. Os teores fixados
foram: 2,7 % para a gasolina A (que sai da refinaria) e 2%
para a gasolina B (que chega aos postos de abastecimento, já
adicionadas com álcool).
Esta portaria está em desacordo com a Portaria
Interministerial nº3, de 28 de abril de 1982, que resolve
no seu artigo 1º: "proibir, em todo o território
nacional, a fabricação de produtos que contenham benzeno
em sua composição, admitida, porém, a presença dessa
substância, como agente contaminante, em percentual não
superior a 1% (um por cento), em volume".
Participaram da Comissão que recomendou esta portaria,
representantes do Ministério da Saúde, Ministério do
Trabalho, Conselho de Desenvolvimento Industrial, Conselho
Nacional do Petróleo, Petrobras, Sidebras, Petroquímica
União, Abiquim e Associsolve.
A ANP alega que desconhecia o teor da portaria de 1982, e
afirma que havia previsão de liberação de importação de
gasolina a partir de julho do ano 2000 e, para assegurar que
não seria importado produto com altos teores de benzeno,
entendeu ser necessário a edição da sua Portaria. Os
teores foram fixados de acordo com a legislação européia
vigente na época. Porém, atualmente a União Européia já
propõe 1% como teor máximo de benzeno.
Dados da ANP, de 1999, apresentados pela CETESB no Seminário
Estadual do Benzeno, em 2000, mostram que em São Paulo os
teores de benzeno na gasolina em postos de abastecimento
estavam na média em 1%.
A bancada do governo entende que a Portaria de 1982 deveria
ser obedecida e que existe possibilidade técnica de manter
este teor.
O benzeno é uma substância muito tóxica. Pode provocar
depressão generalizada na medula óssea onde o sangue é
produzido, que se manifesta pela redução da contagem de
todos os tipos de células sangüíneas: células vermelhas,
brancas e plaquetas. Há relação causal comprovada entre
exposição ao benzeno e ocorrência de Leucemia. A Leucemia
mais comum relacionada ao benzeno é a Leucemia Mielóide
Aguda e suas variações, entre elas a Eritroleucemia e a
Leucemia Mielomonocítica.
Há também comprovação da relação causal entre exposição
ao benzeno e Aplasia de Medula (o organismo pára de
produzir sangue).
Em uma exposição aguda o benzeno tem ação Irritante e é
tóxico para o no Sistema Nervoso Central, podendo provocar,
dependendo da quantidade respirada: narcose, exitação
seguida de sonolência, vertigem, cefaléia, náuseas,
taquicardia, dificuldades respiratórias, tremores, convulsões,
perda de consciência e morte.
FONTE : DIESAT
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Arline
Abel Arcuri é doutora em físico-química,
membro do Conselho Científico do Diesat e pesquisadora da
Fundacentro.
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